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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A TEOLOGIA DA NOVA ALIANÇA FRENTE A TEOLOGIA DO PACTO



Adpt. por Joelson Gomes

Teologia da Nova Aliança é um termo técnico referindo-se a uma visão teológica da história da redenção encontrada principalmente em círculos Batistas e contrastada com a Teologia do Pacto e o Dispensacionalismo. É normal se assumir que se têm apenas duas opções principais para a compreensão da estrutura da Bíblia no cristianismo evangélico: Teologia do Pacto ou Dispensacionalismo. No entanto, os defensores desta corrente de pensamento veem o que veio a ser chamado de Teologia da Nova Aliança, como meio termo e com base bíblica para o entendimento da História da Salvação.

Os seus defensores afirmam que o impulso primário da Teologia da Nova Aliança é o reconhecimento de um entendimento promessa-cumprimento das Escrituras. Eles sugerem que, enquanto o Dispensacionalismo não consegue ver Israel e a igreja juntos, em qualquer sentido que seja, e Teologia do Pacto não consegue separá-los, a Teologia da Nova Aliança encontra a realização da Antiga Aliança tipificada na igreja do Novo Testamento (A Teologia do Pacto, ao contrário, simplesmente nivela o campo do jogo e identifica-os para todos os efeitos). A economia Mosaica é visto como um pacto temporal condicional que tem sido para sempre substituído pela glória da Nova Aliança (2Co.3).



História



Apesar de sua representação ser aparentemente recente em discussões teológicas modernas, os defensores atuais da Teologia da Nova Aliança (TNA) ver suas raízes remontarem aos desenvolvimentos teológicos da pós-reforma. A História Batista, especialmente a Reformada, está enraizada nos princípios básicos da Teologia da Nova Aliança. Grande parte do seu ensino primário é refletida na influente Primeira Confissão de Fé Batista de Londres, especialmente em sua edição de 1646. No entanto, no turbilhão histórico deste período, os batistas calvinistas (Particulares) sentiram a necessidade de mostrar estreito alinhamento com os seus irmãos reformados das igrejas Congregacionais e Presbiterianas, a fim de evitar a perseguição e, assim, adotaram a Segunda Confissão de Londres em 1689, que era uma correção virtual da famosa Confissão de Westminster com ligeiras modificações, especialmente, é claro, na área do batismo. Este movimento deixou uma marca indelével da "teologia da aliança" nos batistas particulares a partir desse ponto para a frente.

No meio congregacional inglês e americano, o uso da Declaração de Savoy e da Confissão de Westminster (por alguns), que são alinhadas com a Teologia do Pacto, fez com que também essa linha de pensamento fizesse sucesso entre os mesmos. No caso do Brasil, pelo fato de muitos pastores congregacionais carecerem de uma leitura crítica, estudarem Teologia Sistemática tendo Luis Berkhof como mentor, e a literatura reformada de viés aliancista ser quase a única fonte de conhecimento teológico de alguns, muitos veem na Teologia do Pacto o suprassumo teológico, e o reducionismo se estabelece.
Mas, os últimos vinte e cinco anos muitos autores de renome no âmbito teológico reformado têm procurado desenvolver um sistema mais esclarecidor dos pactos de Deus. Os líderes desse movimento incluem teólogos como John Reisinger, Jon Zens, Pedro Ditzel, Fred Zaspel, Tom Wells, Gary Longo, Geoff Volker e Steve Lehrer. Os escritos de Douglas Moo,Tom Schreiner , e D. A. Carson sobre a relação do cristão com a lei revelam suas simpatias com a TNA. No entanto, eles não fazem questão ser rotulados como teólogos da nova aliança. John Piper também tem muitos pontos de contato com esse movimento, mas um artigo em seu site cuidadosamente distingue a sua posição da Teologia do Pacto, do Dispensacionalismo, e da TNA. No Brasil isso tudo é muito novo, pois como sabemos sempre chegamos atrasados em certas esferas.


Contrastes com a Teologia do Pacto



A TNA, apesar de ter algumas semelhanças com Dispensacionalismo Progressivo tem mais em comum com a clássica Teologia do Pacto, em particular na forma como Israel e a Igreja são vistos. Ambos os lados não veem uma distinção absoluta entre o povo do Antigo Testamento (Israel) e a Igreja como o Dispensacionalismo faz. Eles também são semelhantes em sua soteriologia e escatologia (alguns veem o milênio como literal e outros não, mas não ensinam que haverá um futuro milênio para o restabelecimento de Israel como no Dispensacionalismo).

No entanto, há pontos de discórdia. A TNA tem mais em comum com o Dispensacionalismo que com a Teologia do Pacto em termos da relação entre a lei mosaica para a economia da Nova Aliança. Veja os acordos e desacordos:



a) Acordo



  •     A Igreja tornou-se "Israel espiritual".

  •     Gentios são herdeiros da aliança abraâmica (Gl 3.8-9; Ef 2.11 ss; Rm 4.1-13; Ap 5.9).

  •     Reconhece a hermenêutica redentiva-histórica.

  •     Reconhece a soteriologia Calvinista.

  •     O Antigo Testamento tem profecias para a era da Igreja (Jr 31.31-34; Cf Hb 8).

  •     O principal propósito de Deus na história é Cristo e Sua Igreja.

  •     Todo mundo já salvo é salvo pela graça somente, através da fé e somente por Cristo (Rm 4).

  •     Cristo ofereceu um reino espiritual ao Israel étnico, mas foi rejeitado, o Israel espiritual, no entanto, aceitou e continua a aceitar o reino.



b) Desacordo



  •     A Igreja começou no dia de Pentecostes, e não há, portanto, nenhuma "Igreja", como tal, no Antigo Testamento / Aliança.

  •     Rejeita os três "pactos" teológicos, muitas vezes defendidos (com alguma variação) na Teologia do Pacto, ou seja, os pactos da redenção, obras, e graça.

  •     Vê a Lei Mosaica como apenas um meio de bênção na terra de Canaã.

  •     A Lei Mosaica é cumprida com o advento de Cristo e da Nova Aliança; crentes da Nova Aliança estão sob a Lei de Cristo (1Co 9. 21).

  •     Tem tudo para manter o credobaptismo .

  •     O Espírito Santo trabalhou de forma diferente no Antigo Testamento do que no Novo.



Lei / Evangelho



A maior diferença entre a Teologia do Pacto clássica e TNA é a forma como eles veem a lei mosaica. Teologia do Pacto vê a Lei Mosaica como dividida em público, cerimonial e moral, e para eles apenas a lei moral permanece em vigor. TNA vê os escritores do Novo Testamento como se referindo à Lei de Moisés em sua totalidade (em outras palavras, todas as 613 leis, não só os Dez Mandamentos). Portanto, quando Paulo diz que "já não estamos debaixo de aio" (Gl 3.25), ele está dizendo que a Lei mosaica in toto faleceu.



Há ainda uma lei no Novo Testamento, no entanto. Paulo diz que ele está "sob a lei de Cristo" (1Co 9.21), e ele é, portanto, ainda responsável com a lei. A lei eterna, imutável moral é expressa tanto na lei nova como velha, mas a antiga lei em si passou. A Lei de Cristo são os mandamentos morais dados pelos escritores do Novo Testamento (Jesus e seus apóstolos). Assim como Moisés foi para a montanha para obter a antiga Lei, então Cristo subiu ao monte para dar a nova Lei (Mt 5-7; cf 2Co 3).
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Veja mais:

  • ótimo artigo AQUI

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